O Instituto organiza suas atividades em três linhas de atuação:

 

1. Práticas financeiras

Como as pessoas usam e pensam o dinheiro? Como usam e diferenciam formas de pagamento? Como administram, poupam e investem dinheiro e quais os sentidos que dão a estas atividades? Como e em que medida culturas financeiras de indivíduos e coletivos sociais são transformadas em projetos de educação ou inclusão financeira?

Nas últimas décadas, processos de financeirização e bancarização transformaram a relação dos indivíduos com o dinheiro ao criarem uma ampla oferta de opções de poupança e investimento de rendimentos. Ao mesmo tempo, a rápida inclusão financeira e transformação da ecologia monetária – com a profusão de meios de pagamento alternativos – gerou um crescente endividamento de setores populacionais. Procurando lidar com os aspectos nocivos desses processos, ações governamentais foram desenvolvidas na tentativa de educar e/ou redirecionar práticas financeiras consideradas insustentáveis, visando um maior bem-estar financeiro individual e familiar.

Baseando-se na extensa literatura sociológica e antropológica sobre dinheiro e finanças, esta área de investigação busca compreender como os agentes econômicos lidam com diferentes meios de pagamento e troca em contextos de transformação de práticas monetárias e crises econômicas, além de investigar a variedade de concepções e práticas de poupança e de investimento presentes na economia.

 

2. Regimes regulatórios

Quais são as regras e normas, escritas e não escritas, formais e informais, que ajudam a produzir mercados e práticas financeiras estáveis e como elas funcionam? Como as regras que regulam mercados em seus variados aspectos são transformadas? De que forma pessoas, grupos ou instituições impõem condutas e formas de organização nos circuitos mercantis? Quais são os dispositivos, artefatos e políticas utilizados para regular e governar mercados, fluxos financeiros e moedas?  Quais as articulações entre diferentes regimes – legais e extra-legais – na regulação das práticas econômicas? Qual o impacto da transformação das regras e normas regulatórias na vida real das pessoas, de empresas e grupos sociais? Como as pessoas lidam e se organizam financeiramente e juridicamente em novos regimes regulatórios? 

Esta linha de investigação busca compreender o modo como o Estado e outras formas de governo se relacionam com diferentes práticas econômicas. Além de compreender como as regras e normas são constituídas e se transformam, as pesquisas buscam revelar o modo como agentes públicos e privados entendem e lidam com estas regras, sejam estas novas legislações, formas legais ou regimes administrativos. Os estudos sobre políticas públicas e regimes regulatórios também se preocupam com os modos pelo qual a economia é concebida por meio de mensurações, índices e outros meios de quantificação da economia, produzindo novas perspectivas de conceitualização de agregados socioeconômicos e de sua utilização.

 

3. Tecnologias e infraestruturas de mercados

Como os mercados de bens e serviços são construídos, como se estabilizam e funcionam? Quais são, como operam e se transformam as tecnologias, dispositivos e artefatos que permitem a circulação de ativos financeiros, mercadorias, serviços e formas organizacionais? Como aspectos culturais e sociais ajudam a explicar as relações de troca e os valores monetários que prevalecem em mercados? De que modo circuitos de comércio ilegais e legais produzem variados mercados? Como mercados são desenvolvidos e formatados para atender a objetivos sociais, econômicos e ambientais específicos?

Os mercados costumam ser entendidos como espaço físicos ou virtuais onde compradores e vendedores de produtos ou serviços interagem. O intercâmbio ocorrendo de acordo com as variações de oferta e demanda. Mas como esses espaços, mais ou menos localizados, mais ou menos virtuais, são constituídos e se transformam? Esta temática inclui pesquisas e projetos que se debruçam sobre as tecnologias e infraestruturas físicas, arquitetônicas e legais que dão suporte a mercados de produtos e serviços, sejam esses mercados formais ou informais. As pesquisas também buscam observar como os valores culturais e dinâmicas sociais influenciam as relações de troca em diferentes setores, ao atentar etnograficamente para o modo como essas relações mercantis são produzidas, compreendidas e vividas por indivíduos e coletivos que são parte integrante ou impactada das transações.